nova casa

Esse secador anda meio parado.

agora estou aqui:

vanrodrigues.wordpress.com

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julia, julie et moi

A parte mais difícil foi virar a frigideira no prato para pegar o omelete de volta. Não, o pior foi ter que segurar o fundo quente da frigideira e o prato quente com um omelete meio pronto meio cru para fazer a transferência.

Mas no fim das contas, ovos são materiais maleáveis, sempre prontos para o conserto. Tinha couve de bruxelas e brócolis no prato compondo uma belíssima refeição minimalista.

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Saí do surto, euforia, decepção, confiança. Tudo em menos de uma semana. Nunca vou aceitar que o mundinho lá fora está absolutamente longe do meu controle?

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Ainda acho que estruturar é compor. Comprei a obra completa do João Cabral por causa disso.

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Troquei a mesa de lugar. Agora tenho um canto de trabalho com menos vizinhos, mais janela e uma parede louquinha pra se transformar num cantinho de menina afrancesada, com luzezinhas.

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O Jeff Bridges é sem dúvida nenhuma o melhor ator pro Nick Belane do Tio Buk.

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Julie and Julia é divertido, com cenários muito legais e conta a minha história. Sério. Exceto pelo fato de receber uma proposta de publicação por causa da internet.

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Ops…

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E continuo esperando Godot.

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Amenidades

Tive uma noite um pouco difícil. Bem difícil na verdade. Sonhei com as possibilidades que parecem sempre perfeitas dentro do craniozinho ansioso perturbadinho. Acordei chorando. Não tem como ter um começo pior prum domingo.

E não parou de chover um só minuto. Daquela garoa fininha. Chuva quieta dura um tempão, minha mãe sempre diz.

Mas por dentro foi meio relâmpagos.

E agora, calma, tranquila e no mesmo mundo onde acordei posso ver que tudo está calmo. Lá fora está calmo. A casa está arejada. Vi dois fimes estranhos. Escrevi um pouco. E até comi um bom macarrão com tomate e manjericão. Na varanda.

O caos passa. Assim como a paz passa.

O importante é tentar achar o momento certo de mandar um foda-se pra tudo.

E ler um Manuel Bandeira:

Paisagem noturna

A sombra imensa, a noite infinita enche o vale . . .
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
— Em noss’alma criminosa,
O pavor se insinua . . .
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
— Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.

Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias.

O plenilúnio via romper . . . Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.

Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .

Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longe das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
Fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando . . .
Assim a névoa azul paira sonhando . . .
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.

E o luar úmido . . . fino . . .
Amávico . . . tutelar . . .
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes . . .

Teresópolis, 1912

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Starlene, you should be a pulp fiction writer

Digamos que meia-noite seja um bom momento para dizer que “Um amor e uma .45″ é um puta filme. Desses que a gente queria ter roteirizado, atuado ou apenas assistido há algum tempo.

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projeto verão Revista Nova

Tá. Sem demagogias. Eu sei que não sou velha apesar de a indústria cosmética me oferecer um creme rejuvenecedor específico para minha idade. Que idade, perguntam. Ora, a minha idade, essa que eu não tenho ainda nenhum problema em revelar assim, ao mundo todo, mas vamos ir direto ao ponto sem mais delongas.

Apesar de estar muito convicta, convicta mesmo, que não tenho ainda nenhum problema desses femininos típicos, resolvi (na virada do ano, é lógico, enquanto me entupia de cerveja, espumante e lentilha) que eu iniciaria o projeto verão antiembarangamento. Porque não, queridos, não basta saber francês, ter uns títulos acadêmicos ou uma reputação artística aos quarenta.

Taí nossa velha revista Nova nos exigindo. Somos massacradas pelos apelos ardentes dos editores dessas revistas femininas. A depilação cada vez mais ousada, os saltos cada vez mais altos, os vestidos mais justos e curtos, e… Viram já o tal bandage dress? Provocação.

Não sei que passos seguir ainda. Se enfrento a academia, passo a comprar o Diet Shake da Sheila Carvalho ou se compro uma cinta modeladora da polishop.

Olha, essa vida não é fácil. Nada, nada.

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pinheiros e a era do jazz

Li O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, numa viagem calorenta de mais de 500 km entre Francisco Beltrão e Curitiba, voltando de um feriado natalino desses comuns e tranquilos em que nos hospedamos na casa de pessoas não muito próximas mas o suficientemente íntimas, como qualquer outro galho familiar.

O ônibus cortava o estado latitudinalmente, parando em cada pequena bodega em que três ou quatro pessoas com roupas despreocupadamente combinadas esperavam um ônibus para qualquer canto com mais seres humanos desconhecidos.

E o tempo me parece muito relacionado com a variedade de paisagem que passa diante da gente. E só via campo e pinheiros.

Mas as horas me permitiram ler o tal clássico norte-americano que devia a minha vida literata. Li a tradução de Roberto Muggiati, que me parece que consertou os estragos da tradução mais antiga.

De qualquer modo, grande livro.

Senti o calor destemperado do verão americano naquele ônibus da Princesa dos Campos. E as últimas páginas li em casa, hoje, ouvindo a chuva típica dos funerais.

Sincronizada, estou convicta que o Johnny Depp seria um grande Gatsby no cinema.

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Alma

Dividindo as coisas bonitas de 2009.

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Aspas

E nesse tempo de e-mails escassos, uma brilhante explicação desse mal que nos assombra pelo grande mestre Tezza. Clique aqui.

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E o que desejo a vocês, amigos…

RECONHECIMENTO

SORTE

BOM HUMOR

E PAZ!

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