A minha trilha sonora seria essa. No repeat o dia inteiro.
Só o rigor da verossimilhança ficcional nos salva. Porque a vida real aqui de fora, meu chapa, a real mesmo, é mal escrita.
A loiraça dos Recursos Humanos não pode gostar de Almodóvar, nem ter lido alguma coisa mais complexa que o manual de instruções da sua calça de lycra.
Os turistas (e vi um par deles dessa maneira hoje sob o sol da capital) insistem em usar camisa colorida e chapéus cáqui de brim.
Estou num desenho animado. Mal escrito.
A vida real é um clichê.
De vez em quando, converso sobre o Yann Tiersen com a depiladora que me despe sem pudores nem sensualidade (aliás, nada menos sensual que uma sessão brésilienne de depilação) ou o ônibus de repente pára na frente de uma árvore coberta de lustres redondos enquanto eu ouço alguma coisa suave.
Mas o resto é só anticlímax.
E se você fosse para algum lugar no hemisfério norte fazer alguma coisa como um Au Pair e descobrisse que o Mr. Waits do formulário é um tal de Tom? E se por acaso você gostasse de cantar para o mini tom dormir? E cantasse alto, a ponto de o seu querido chefe bizarro ouvir (talvez porque ele estaria ali, bem perto mesmo, olhando suas pernas embaixo da barra branca de seu uniforme fetichento de babá)? E se seu chefe achasse sua voz linda — e isso não fosse apenas uma cantada?

Ok, você seria Jesca Hoop, nossa querida amiga mórmon de ontem. Mais aqui.
Se Google é Deus, meu anjo da guarda é o Twitter!
E graças a essas coisas fúteis da web, que nos prende os dedos no teclado/mouse, descobri essa moça hoje. Desliga essa TV e vá ler o twitter!
Clipe lindo. Música fueda. Mocinha très sympa !
Boa semana, folks!
É de conhecimento de alguns que passei a trabalhar há umas semanas numa importante obra de referência, dita pai dos burros. Essa função prestigiosa tem me permitido colecionar palavras sensacionais.
Inicio então uma série semanal no blog do top five vernáculos desconhecidos. Aqui, ilustrados, para dar a dica e atiçar a curiosidade intelectual dos leitores.
5. BILONTRA:
4. CAMPANUDA:

3. BRIDA:

2. BARREGÃS:

1. CALIPÍGIO:

1. Bailarina. Eu tinha seis anos quando quis entrar na escola de dança do Guaíra. Mas as coisas mudaram de lugar, eu me mudei com minha família, enfim, 25 e elasticidade quase nula.

2. Cantora. Mas nada de Raul Gil falseteado. Queria ser uma Amy Winehouse com a elegância da Duff e com a presença de palco da Sharon Jones, só para ficar com as pessoinhas vivas.

3. Estilista. Bem, isso até merece um post a parte.

4. Assassina. Mas eu tenho problemas com sangue.

Desisti de conhecer o Timor-Leste, a China, Angola e as Ilhas Maurício. Estudo para ir a Paris. Por enquanto pelo menos.
Esta é a foto de um cara muito parecido com meu mais novo narrador:

E este é um trecho dele:
Para alguém tão correta, tudo isso era um grande tormento. Ela realmente sentia Henrik, por vezes Lars, descobrir seu corpo, não se excluindo pedaços muitíssimos pouco explorados, nem mesmo por ela, muito menos por Freitas. Sabemos bem, nenhum sexo que não “o convencional” é permitido nas Escrituras (leia-se a velha fórmula o homem é a cabeça e a mulher a cauda, ou ainda, father-mother fuck style). E o casal de Deus sabia disso e cumpria. Se Camile não era como Madame Bovary dada a ler folhetins safados ou histórias de amor impossíveis, de onde saía tanta criatividade? Henrik devia ser o demônio.
Coming soon!
À Carol Caron, que sempre me tira do repouso

Faz um tempo que não escrevo nem bilhete, por isso esse silêncio. E andei meio deprimida. Ainda nessa relação amor-ódio com meu reflexo, mas já passou. Passou principalmente porque não tenho o glamour contemporâneo das janelas fechadas nem da letargia.E se eu não fosse tão vaidosa, talvez fosse mais fácil. O exercício, disse alguém sob uma árvore há milênios, é o desapego. Simples e difícil, como aprender a andar.
Prefiro chamar isso de inércia. Começar a girar sobre um piso áspero, depois de tanto tempo em repouso, demanda muita força. E prefiro pensar que esse tempo de silêncio equivale ao tempo que minha geladeira antiga leva pra esquentar antes de esfriar… A física tem seus mistérios.
Eu preciso girar sobre uma pista áspera partindo desse repouso.

Minha leitura da graphic novel Retalhos, de Craig Thompson, está sendo terapêutica. Linda a história, comovente, com um fluxo narrativo ótimo, arte muito boa, enfim, recomendo. Mas, além das qualidades estéticas, essa leitura veio em boa hora. Acredito em catarse. Mas do que isso, sei a catarse. Minha empatia natural me permite sempre me por no papel desse outro que me conta as coisas. Mas em Retalhos é diferente, o esforço é quase pra não me ver ali. Minha história é muito parecido com a do Craig, mesmo com todas as diferenças…
E veio em boa hora. Minha convivência comigo mesma não tem sido muito fácil. Às vezes acho que fiz as piores escolhas, em outros momentos amo tudo que faço. Mas o que mais tem me incomodado mesmo é que na verdade, com tanta coisa pra fazer, fica um pouquinho de abandono em cada uma e, como tudo é uma só vida, que não se divide em pequenas caixas, o vazio cresce. E me vejo alternando claustrofobia e agorafobia.
Mas. Ok. Amanhã vou fazer uma super-hiper-mega massagem ayurvédica. Os demônios escaparão pelos poros. Hare Baba! Hare Krishna!