o tempo em granadas ou
Sobre a fragmentação dos objetos que nos rodeiam.
Li um livro péssimo esses dias. Horrível mesmo. Mas não conto o seu nome não porque o meu (nome) tá lá na ficha técnica e daí já viu, né? Todos os personagens com a mesma voz, nenhuma personalidade, clichês, ui. Péssimo. Um dia eu conto no pé do ouvido sem escutas eletrônicas para os curiosos…
Mas eu entendi o que me irrita nessa literatura de filtro vermelho, conhaque com gelo e meia arrastão. Eu me irrito com a pretensão das verdades absolutas, livros de blogue, um rodear-se em volta do próprio rabo. E também me irrita o excesso de detalhes. Aqueles mais cabeludos. E não que eu puritana nunca li Sade, Bataille, minha adorada Hilda Hilst. Os detalhes em excesso não são detalhes, mas pinduricalhos bregas. É isso, me irrito com a literatura kitsch.
Daí eu penso (me permitam um pedantismo) onde fica “o trapacear com a língua, trapacear a língua. Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro magnífico que nos permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem”, como nos ensina Barthes?
Porque não existe arte sem revolução. E não é a revolução datada, partidária, com camisas. Digo a revolução na gente mesmo, uma nova evolução, um esvaziar a cabeça de coisas inúteis cada vez que termina um livro. Pensar diferente, sabe? Se espantar. Deus, tem gente que nunca mais se espantou com nada! E tem lá o amigão Joyce dizendo: se não sai renovado depois de fechar o livro, foi perda de tempo. É isso.
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Mas, senhores, nem só sombras nos estão servindo. Descobri um cara com uma narrativa absurda. Uma das melhores graphic novel que eu já li. Chama-se “Como uma luva de veludo moldada em ferro“, de Daniel Clowes.

Foda.
Quanto ao quadrinho:
EU JÁ SABIA!
seu subtítulo
está muito pós-moderno