Versão 8 - voyeur

Um presente perfeito seria um binóculo. Melhor, um telescópio apontado para a janela cotidiana de um vizinho sem maiores emoções - nada de trepadas homéricas, me interessa mesmo é a velhinha fazendo chá com seu penhoar de matelassê.
Fico louca nos cafés, quero saber cada detalhe das histórias, ler lábios, decifrar pensamentos e o motivo que levou aquele nobre senhor a usar abotuaduras em seus punhos em plena terça-feira (e por que diabos ele pediu suco de laranja e café sem açúcar). Quero saber o que cada cidadão lê no ônibus, o que está escrito nas camisetas na parte debaixo do casaco, o que tem na sacola de compras. Mas tudo isso tem que ser, obviamente, em segredo.
Eu devia estar com uma cara de idiota secando o moço. Ele veio.
- Desculpe?
- Eu disse que você estava me olhando, queria saber se tem algum problema comigo, o que foi?
- Tem, tem sim. Você não devia ter vindo falar comigo, estragou tudo, seu cretino! - e saí batendo o salto, tão abalada que não fui ao aniversário da minha amigona. *
* pedido de desculpas a menina quadrado por não ter comparecido ao elefantinho ontem.
=]
de certa forma
a minha janela é
discreta
Está perdoada.
Está perdoada porque é você que me aguenta chorando.
Está perdoada porque é você que me acompanha nas minhas loucuras.
Está perdoada porque é você que me aguenta ultraempolgada.
Está perdoada.
O que é um elefantinho bobo?
Rituais de passagem. Os rituais se vão, a amiga fica.
Ohhh. Chorei aqui.