Versão 14 - bicho da cidade
Minha tia sempre morou na fazenda. Os filhos dela também. Meu vô foi um tropeiro em seu tempo de mocidade: atravessava o estado com seu mangueirão de porcos sob a voz de seu comando. Minha mãe lavava penicos e bacias esmaltadas com água e limão. Meu pai nasceu em casa e, dizem, sem parteira nem nada. Meu bisavô morreu espancado por um índio. E minha vó foi vó aos 30 e poucos. Meus tios fumaram cigarros de palha desde crianças. E meu pai caçava pequenos roedores perto da casa dele.
Eu escrevo nesse momento um romance infantil sobre vacas. E nunca passei a mão em uma delas. A grande questão é: a gente consegue pensar vivo aquilo que nunca tocamos?
Olha, nega… Pensar a gente até consegue. Só espero que seu livro não tenha qualquer comprometimento com a ciência, afinal, vacas vestidas de mulher-maravilha não são comuns no campo. rsrs
não tem jeito, é como o malária falando: “vamo fumar cocaína e cherar maconha”.
hehe
cacilda van
tava dormindo, agoragorinha à tarde,
e sonhei com você.
a gente se abraçou e se despediu,
eu desci a rua,
tropecei nuns ferros de construção,
xinguei os pedreiros,
veio um negão correndo e me chutou
e eu o matei.
até o fim do sono eu era procurado pela polícia…
olha, eu já pensei estar nadando em dinheiro mas nunca toquei numa piscina de dólares.