24/05/2009...6:16 pm

elogio a Pavel

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Estar onde ninguém sabe e ali, na mesma sala, um sumiço sem alarde, sem paradeiro, o melhor dos disfarces, a melhor e mais eficiente das fugas. Inventar um teatro feito de carne tua, concha acústica feita dos ossículos das tuas orelhas. O ar que vibra é um ar morno da temperatura do teu sangue, o ar da sua mente. Tudo isso graças à música. Testei na minha última viagem. Na montanha, ouvindo improvisos. Eu era o ruído no meio daquele branco. Mas nem mesmo Deus me ouvia. Se sabia era meu pensamento já filtrado por aquela música espessa de símbolos. E mesmo que todos, ao mesmo tempo, ouvissem a mesma música nas orelhas no mesmo lugar, nenhuma montanha seria a mesma montanha. Porque nenhum homem é igual, nenhuma música dissolvida no espaço entre suas moléculas é a mesma para dois sujeitos distintos.

1 Comentário

  • bem bão isso, hein? puta merda! (da série: elogio aos palavrões)
    “Inventar um teatro feito de carne tua, concha acústica feita dos ossículos das tuas orelhas.”


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