Estou lendo…
Norwegian Wood, Haruki Murakami.
.jpg)
Apaixonante. Primeiro romance que pego por gosto da prateleira desde que começaram as aulas. Eu ainda não terminei, mas já deu pra perceber o domínio narrativo do japa, seus temas contemporâneos, um amor surgindo aos pouquinhos e Beatles na cabeça. Sentei um dia esperando a banda passar tomando um café com dulce de leche num horário mágico sem ninguém lá na cafeteria da Saraiva e li umas 50 páginas sem respirar. Esse poder é tão raro.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Quarup, Antonio Callado
Outra das boas obrigações que tive nesse semestre. E tem gente que reclama da faculdade ainda. Quarup é absurdamente estruturado, diálogos perfeitos, fala de problemões da ditadura logo em 1967. Entupido de referências históricas e literárias. Ótimo.
***********************************
Lavoura Arcaica, Raduan Nassar
A Raduan todas as salvas do mundo. Eu já disse isso aqui. Ele sabe como ninguém descrever nossos pensamentos profanos. E digo profanos porque o livro todo tem essa caráter de uma alegria embriagada, dionisíaca, amores reais e orgiásticos.
Amores impossíveis. Proibidos por Deus e Alá, em coro!
Amigos, não passem mais tempo nessa vida breve sem conhecer esse cara aí, ó:
Ai, ai.
Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa

Agora, seis anos depois de ter entrado no curso de Letras e apesar do meu atraso e dos traumas eu sei por que escolhi essa vereda. Eu não sei viver longe da Literatura, essa de caixa alta. Eu gosto de escrever também. Mas ler é sem dúvida o maior prazer da minha vida. Faço uma disciplina atualmente de literatura brasileira contemporânea e fui convidada a ler o Grande sertão. Ter essa leitura acompanhada com um professor como é o senhor Costa está sendo uma daquelas experiências que mudam o sujeito. Esse livro é a coisa mais rica com que já tive contato. É um poema com centenas de páginas. Ensina a gente a viver. Estou hoje numa fase de casulo. Eu não queria precisar ver ninguém. Quem sabe apenas o entregador de pizza e de livros. Eu passeria o resto do meu tempo lendo um livro como esse.
Sexo e Amizade, André Sant’anna
A maneira como esse cara descreve as situações é assustadoramente irônica e crítica. Na Curitiba Literária lembro que o Joca disse que o André Sant’anna fala sempre da estupidez. É isso. um hiper-realismo que quase denuncia a estupidez das pessoas do nosso tempo.
Fodástico.
&&&&&&&&&&
Sem Receita, de Zé Miguel Wisnik
Pesquisa para meu livro sobre música. Vários ensaios sobre literatura e canção popular. O Wisnik é daqueles professores apaixonantes (dá aula na USP, em Literatura), a gente percebe isso na maneira como ele escreve. Os ensaios são ótimos, uma linguagem cuidadosa, beira a metáforas.
Sugiro também que ouçam Pérolas aos Poucos, disco do Wisnik com parcerias de Luiz Tatit e Mautner.
**************************************
Um homem: Klaus Klump, de Gonçalo M. Tavares
Porque é do Gonçalo. Acho que esse português é a mais bela surpresa da minha vida literária até hoje, de verdade. Tem a Hilst, mas essa é uma coisa meio erótica, minha relação com ela é quase lésbica.
Esse é o primeiro livro que compõe uma tetralogia chamada O Reino. Lançados no Brasil só esse e o Jerusalém, por enquanto. A Casa da Palavra lançou outros, da série O Bairro.

As descrições do barulho, do ruído na guerra, a violência e o horror de um tempo sitiado. E é tão o nosso tempo! Recomendadíssimo.
Uivo e outros poemas, de Allen Ginsberg

Aprender a ter essa agilidade. E a colocar cadência nas palavras juntas como um improviso de trompete bebop. Ouça.
Van..vc viu o filme Lavoura Arcaica?? Recomendo lindona. beijo